sábado, 30 de novembro de 2013

Anhangá- A fúria

fantasia, folclore, literatura brasileira, indianismo, literatura brasileira, terror,  anhangá

         Séculos atrás na terra onde crescia o pau-brasil, onde europeu algum havia pisado e tribos indígena guerreiam entre si, um entidade vinda além do Grande Rio ( o oceano) surge afim de transformar esse novo mundo em seu reino, um demônio elemental da água!
                Para deter tal ameaça, as froças divinas trazem um poderoso mago árabe para se aliar ao maior pajé da região que,  aliados  com  guerreiros de tribos e com poderosos espíritos nativos, irão lutar contra o demônio! Assim é a aventura do livro de fantasia e aventura com toques de terror "Anhangá- A fúria do demônio".
                Com uma sinopse parecendo de um filme de espada e magia, o livro é fascinante! A descrição da antiga Pindorama com seus habitantes, hábitos e conflitos faz você mergulhar  na história e  quebra o mito do bom selvagem  ao transformá-los em seres realmente humanos com suas crenças, problemas e conhecimentos únicos.
                O mago mouro também é muito bem descrito, com a história alternando entre o conflito no Brasil antigo e as lembranças do mago de como iniciou sua jornada, sua aliança com os cavaleiros templários e sua luta contra o monstro aquático na Europa antes de naufragar por aqui.
                O conflito cultural também é outra riqueza do livro, se iniciando com a guerra entre os índios Tupiniquins e os Tupinambás, passando  para o estranhamentos dos dois magos ( o Pagé  e o  árabe Mohamed) cujos rituais se diferenciam muito, culminando na própria visão da criatura sobre a terra nova onde está e seus combates contra os deuses locais, incluindo um caipora totalmente distinto da visão clássica que temos, o guardião das matas é quase tão feroz e poderoso quanto o demônio elemental contra o qual luta!
                Fazer histórias fantásticas usando o Brasil como cenária sempre foi um tema ao mesmo tempo atrativo mas desafiador.  Existe uma visão na cultura geral que pensa em fantasia como sinônimo de Europa medieval com magia, ficção científica como uma América do Norte turbinada e cenário lendários como Grécia antiga. Não que esse cenários não forneçam elementos incríveis, mas temos a dificuldade cultural de pensar no imaginário ocorrendo no nosso próprio  país, talvez por nossa própria tendência a ter uma visão meio “chata” da história do nosso país.
                Entre várias alternativas , como criar linhas do tempo alternativas no Steampunk ou de futuros apocalípticos, alguns autores, tentando buscar a nossa era mítica, como Tolkien fez na Europa, buscam no Brasil antes de Cabral o cenário para essas aventuras, como no clássico Macunaína e no poema épico I Juca Pirama  Mais recente e misturando elementos  temos“A sombra dos  homens”, sobre uma maga viking que naufraga no Brasil e um guerreiro indígena lendário tenta resgatá-la de uma colônia Atlante.  "Um dos grandes problemas é fazer isso ser cair na repetição ou no idealismo exagerado de uma cultura específica. "Anhangá" consegue tudo isso e o  autor, J. Modesto, cria uma história única com uma mescla cultural intensa que é a real gênese de nossa cultura brasileira.