sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A lição de Anatomia do Terrível Dr. Louison

    Um mistério macabro em um mundo onde o trabalho escravo foi substituído pela robótica. Um jornalista tentando entender a mente de serial killer. Um crime medonho sendo utilizado para mascarar algo mais sinistro....
Estande do livro na festival Steampunk de Paranapiacaba
          "A lição de anatomia do temível Dr. Louison" é o romance de Enéias Tavares que ganhou o concurso Fantasy. De clima steampunk ( estilo da Era Vitoriana com supertecnologia movida a vapor. Como se as tecnologias de Júlio Verne e H. G. Wells existissem naquela época) temos a história do serial killer Louison investigada pelo jornalista Isaías Caminha numa Porto Alegre do primeira década do século 20 onde a sociedade foi modificada pela vida dos robôs serviçais a vapor importados da  Inglaterra. Mas realmente mudou ou uma elite hipócrita que usa um verniz inglês para manter a população pobre e ignorante?
Capa
         Pegando personagens das mais diversas obras clássicas da literatura brasileira para montar o cenário (tanto que o hospício onde fica o assassino é justamente comandado pelo Alienista!)  somos levados a montar um quebra-cabeça formado por pedaços de diários, cartas, gravações fônicas e recortes de jornais ( a mesma estrutura do Drácula de Bram Stoker) para descobrir os segredos da cidade e da sociedade secreta conhecida como "O Pathernon Místico".
Eu e o autor
         E, a medida que vamos resolvendo o mistério, reflexões tanto sociais quanto históricas passam a surgir em conjunto com o soco no estômago que são as revelações: como os descendentes de escravos foram tratados como lixo por uma elite agropecuário ( que, no mundo real, preferiu contratar emigrantes europeus do que os próprios afrodescentes). o legado real da escravidão que até hoje permeia a estrutura de vínculos empregatícios (já que a própria Europa proibiu a imigração para o Brasil nesse período devido as códições sub-humanos em que eram tratados os imigrantes, quase igual aos escravos),  como visões medonhos de purismo racial ainda permeiam e corrompe um país que deveria ver na miscigenação social e cultural o maior tesouro a ser estimulado.
            Evolução tecnológica precisa ser acompanhada de evolução moral, do contrário, a tecnologia torna-se um mascarador e amplificador dos problemas que a precediam, um barril de pólvora prestes a estourar. Afinal, não seria está a real causa até das grandes guerras mundiais?