domingo, 22 de novembro de 2015

Um conto de Catheryne e Henry - Parte1/3

 Olá! Está é primeira parte de 3 de um conto meu inspirado na obra "A Abadia de Northanger", de Jane Austen, mas com toques nos contos de fada da Disney que fiz apoiado pela minha querida Flor de Cerejeira (te amo, gatinha!). Espero que gostem!

Parte 1/3: Silêncio em Wiltshire

     Toc! Toc !Toc! O barulho da carruagem misturando patas de cavalo, madeira rangendo e tiras de couro se esticando parecia aumentar com a proximidade da casa.
     - Será que eles estão bem, Henry? James foi tão vago naquela carta em que anuncia a feliz vinda de fortuna para meus pais. Depois soltou cartas cada vez mais breves e ríspidas. Será que ele se tornou um ladrão? Será que eles estão escondendo criminosos em casa? Será que descobriram uma mina antiga e agora o dono verdadeiro a quer de volta?
     - Não sei, querida. Realmente sua família sempre gostou de falar muito e seu irmão James nunca detalhou seu novo negócio, apenas mandou seu broche de outro como presente de aniversário para confirmar sua fortuna.  Espero que não tenha se metido em enrascadas. Você sabe como Isabela ainda tenta provocá-lo, apesar de estar casada com meu irmão.
     - Chegamos! - Gritou o cocheiro.
   O jovem casal desceu. Alguns esquilos tentavam se aproximar para ver aquele vestido rosa com detalhes na forma de flores brancas que se destacava naquele campo onde predominava os tons de marron e verde do local.
       James remexia suas abotoaduras douradas do terno cinza-escuro para aliviar a ansiendade. Não foi o aumento da velocidade da carruagem que aumentou o barulho da mesma, mas o silêncio da região onde quase não se ouvia mais o barulho dos animais.
      A medida que se aproximavam da casa da familia Morland viam mais suas múltiplas expansões e ornamentos refinados que não existiam há um ano atrás. Muitos detalhes feitos em ouro, inclusive um pequeno trecho do caminho de entrada que lembrava pegadas douradas num caminho de mármore. Mas os raros esquilos que alegravam Catherine pararam de acompanhá-la naquele ponto e se monstravam tremendo de medo quando esta chegou a porta.
       Ninguém atendia.
       A jovem achou ter escutado a voz do irmão fraca e rouca e arremessou uma pedra na porta , que cedeu, junto com uma chuvade pedregulhos colocada como armadilha.
           - Uma armadilha contra ladrões, Henry? Minha família nunca foi disso. Estava tão maravilhada com o exterior da casa que não percebi o quanto o local pode ter virado uma prisão pra seu próprios ocupantes.E po rque deixariam a porta aberta? Por que não tem ninguém para vigiar?
         - Não sei querida. Apenas temos que tomar muito cuidado. Seguirei na frente. Qualquer coisa corra para pedir ajuda ao cocheiro.
         Cautelosamente atravessaram as salas ricamente ornamentadas com tapeçarias estrangeiras, cada vez mais enfeites de ouro e uma sacola cheia estáttuas de animais e frutos silvestre de pequeno porte, aparentemente sendo colocados numa estante quando algo fez seu arrumador parar tudo.
         Subiram até o quarto de James, quando viram uma grade na ponta da escada. Seria outra armadilha?
         Henry toma a dianteira e analisa o mecanismo. Um quadrado de 16 pedras coloridas está ao lado da maçaneta, com dua pedrinhas bem desgastadas. Apertando-as a porta se abre sem qualquer problema.
       No quarto de James o brilho dourado que preenche o local não alivia a expressão de terror de sua irmã.  O rapaz está delfinhando dentro de um traje dourado com toda sua família e servos transformados em ouro na pose em que faziam para ajudá-lo.
     - Minha.. irmã....
    - James!  Oq ue aconteceu?
    - Minha ganância... ela aconteceu.... Recebi uma abotoadura de Isabela... tudo o que tocava virava ouro... enriqueci minha família... fui tão egoista, transformando os animais de nossa propriedade em estátuas... para decorar nosso lar ou p-ara vedê-la - As lagrimas tentavam correr mas tambem viravam ouro- Até que um dia.. acordei e gritei. Minha roupa viou um pesado esquife de ouro. A três dias estou assim. alimentado por minha família e empregados, até que todos viraram ouro. Exceto você, que estava distante, minha irmazinha...
     - Calma, Catherine. - Dizia Henry suavemente para sua amada -Talvez haja um jeito. Já leu o livro de histórias gregas de nossa biblioteca?
     - Ainda não. Não li de qualquer autor que não compartilhasse de nossa terra de nascimento.
     - Há a história de um rei grego chamado Midas. Como ele era bondoso com as pessoas um dia o próprio rei dos duendes e do vinho, Dionísio,  foi ajudado por ele. Dionísio deu-lhe um desejo em troca e Midas pediu o dom de transformar qualquer coisa que tocasse  em ouro. Mas chegou um momento em que Midas não conseguia comer ou tocar aqueles que amava pois tudo virava ouro. Até que ele foi na cachoeira onde diziam morar o rei dos duendes. Lá a voz o senhor do vinho dise para se lavar naquela cachoeira para cortar o encantamento. E assim Midas conseguiu salvar a si mesmo e seu reino.
     - Puxa! Então vamos para a cozinha! A água da cachoeira daqui é usada especialmente  para fazer a melhor bebida da casa!
    Pegando um jarro em forma de cine que desde pequena via usando para coletar a água da cachoeira, despejou um pouco de seu conteúdo sobre o irmão, sem efeito. O jovem casal estava prestes a perder suas últimas esperanças quando, rememorando pela décima vez a história que Henry contou, a dama pega o vinho da dispensa e o mistura com a água do cisne, cuja primeira gota basta para desmanchar a mortalha dourada e,  num efeito dominó, desfazer o feitiço sobre todas as pessoas, animais e objetos da casa.
       A alegria está restaurada, mas a abotoadura mágica de Isabele explode em faíscas, fazendo aparecer um duende translúcido, como se feito de vidro esverdeado, que canta:

       Quando a harpa tocar desfará a segunda maldição
        e terá que correr para a terceira prisão
        para desfazer os poderes da bruxa sem coração
        cuja alma foi tomada pela ambição.

O duende some em pleno ar enquanto Henry cai de joelhoes com as mãos na cabeça.
    -Querido! Você sabe o que isso significa?
     - Infelizmente sim! Agora sei porque Isabela está mexendo com magia negra! Precisamos ir imediatamente para Nothanger e salvar minha família!

      
Parte 2
Parte 3 - conclusão