sexta-feira, 25 de março de 2016

O Homen Animal de Grant Morrison


       Pensei por muito tempo antes de escrever algo novamente sobre Grant Morrison, pois é um dos meus escritores favoritos com toda uma visão muito especial sobre as raízes e crescimento do mundo dos quadrinhos, como discute em seu livro Superdeuses.
        Assim , após ler muito material legal dele, finalmente consegui os encadernados da primeira obra dele para uma grande editora, o Homen-Animal, super-herói que já existia e que ele "apenas " revitalizou, mas de forma cheia de diversão e filosofia, o suficiente para  durar 26  edições sua passagem e conseguir vários outros trabalhos até chegar no sua obra prima Multiversidade.
            Minha introdução (ui!) ao Grant começou quando eu era só um estudante colegial passeando no shopping e vendo um gibi do X-men com uma arte meio diferente nas bancas, com o título "E de extinção, o final da saga". Folheando, vi Genosha destruída e um história que me fez comprar. Era fã dos X-men desde a época do desenho que passava na Globo, comprando várias minisséries e one-shots com frequência e essa revista que me fez colecionar a série normal. Histórias sobre o conflito entre o velho e o novo, o adulto e o adolescente, o fanatismo ideológico e a diversidade cultural. Inclusive graças a ele a Joss Whedon, o diretor do filme dos Vingadores, foi trabalhar na Marvel! Pois  Joss voltou a ler X-men por causa das histórias do Grant e foi contratado pela Marvel justamente para substituí-lo no gibi!
            Eu leria depois várias outras histórias dele com personagens como Superman e a Liga da Justiça, mas agora vamos nos concentrar em sua primeira obra que dá título a esse post, o trabalho que o lançou no mercado e mudou a forma de ver os quadrinhos.

Volume 1- O Evangelho do Coiote:
Capa do volume 1
                  Aqui começa a aventura com Buddy, sua esposa Ellen e seus dois filhos. Buddy não tem identidade secreta e pretende transformar o serviço de super herói numa profissão, uma espécie de segurança com super poderes. Claro que ser visto como um herói de terceira categoria enquanto existe uma Liga da Justiça "gratuita" não ajuda em nada. Porém a primeira proposta surge de uma empresa que trabalha em pesquisas com animais. Assim começam as aventuras paralelas de Ellen e Buddy. A primeira tendo que sobreviver a uma tentativa de sequestro quando vai passear com os filhos e Buddy sob a identidade de Homen-Animal, capaz de duplicar as habilidades dos animais próximos. Muito questionamento sobre o processo de ética em pesquisas é destrinchado assim como a sombria origem de recursos da companhia.
                    A seguir temos várias histórias curtas ao longo da revista. Aquela que fica fisicamente central, no meio desta, dando nome a revista e discutindo sobre como o ser humano aborda a violência em nível real e artístico e como as duas se entrelaçam.

Capa do volume 2
Volume 2- Origem das espécies:  Temos  a origem dos poderes do Homen -Animal detalhada e entrelaçada com o de outros heróis do mesmo estilo pouco conhecidos da DC Comics assim como essa conexão com os arquétipos animais do planeta inteiro afeta a realidade ( isso décadas antes de certas histórias do Homem- Aranha) numa aventura na África. Tudo permeado com os problemas e reflexões do ativismo anti-especicismo de Buddy ( que virou vegetariano assim como o próprio escritor da história).

Volume 3- Deus Ex Machina: A metalinguagem em seu auge! Surge James Higwater como guia de Buddy para uma fratura da realidade. Um fratura causada pela saga ( na época recente) Crise nas Infinitas Terras . Assim os poderes de Buddy aliados a sua capacidade e aprender sobre a estrutura da realidade ( cujas bases usa para ter seus poderes animais) permitirá  lutar contra o super-humanos enlouquecidos que surgem por essa fratura cósmica. No entanto, enquanto salvava o universo uma grande tragédia se abate em sua família. Como a mente totalmente abalada com tal paradoxo começa sua busca profunda profunda que o levará para um reino ainda mais profundo do que dos arquétipos animais que usa, o reino das ideias não materializadas, o palco através do qual ira interagir com a interface entre o mundo dele e a nossa própria realidade. Uma história mais do que existencialista, uma história que discute qual o real papel que a histórias em quadrinhos podem ter na nossa vida.

Assim como outras obras boas do selo Vertigo ( o selo adulto da DC Comics) o Homem Animal é um grande exemplo que como material adulto não precisa ser sinônimo de pornografia com litros de sangue ( isso é sinônimo do arte gore, não toda arte adulta!), mas que é ter a liberdade para falar de temas complexos e chocantes com alto grau de profundidade e ainda assim levantar uma colorida chama de esperança para enfrentar as força de nosso mundo real.

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