terça-feira, 12 de abril de 2016

Entrevista com Thiago Spyked!

Olá, Galera!
Hoje temos a super entrevista com Thiago Spyked, responsável pela editora Crás, uma das principais no mercado de mangás independentes no Brasil! Coleciono o material deles há muito tempo, inclusive já comentamos alguns deles aqui recente, além de acompanhar seu canal de vídeo  sobre o mercado independente de mangás, e agora tive a grande oportunidade no Festival Guia de Quadrinhos para conversar com ele pessoalmente!
Então, vamos para a entrevista!

Como foi que você começou a se interessar por animes e mangás e resolveu entrar nesse mercado?
Capa de Rafe
R: Eu sempre gostei de quadrinhos e de desenhar. Desde pirralho dizia que queria fazer quadrinhos quando fosse adulto.
Só que, no Brasil, você não tem um mercado variado com editoras te contratando, exceto pelos estúdios do Maurício de Souza.
Então, entre as opções, o meio independente era um meio dos autores desenvolverem seu próprio trabalho sem precisarem de uma editora ou de alguém maior por trás.Sempre tive essa iniciativa de fazer por conta própria e não ficar esperando vir do céu.
Comecei pelo fanzine feito no xerox, fui evoluindo com os anos, conhecendo novos modos de impressão e novas maneiras de produzir o meu trabalho. Com a Crás, especificamente, são quase 10 anos envolvido nisso, mas com produção independente é desde de 2003.

E como foi a ideia de montar um canal do Youtube tanto falando da editora quanto dando dicas de desenho e de mercado?
R: O canal comecei em 2010. Até aquele momento eu, como muitos outros autores, tínhamos dificuldades de usar a internet voltada para os quadrinhos. E essa era o período em que o Youtube tava crescendo com a expansão dos vlogueiros, ainda com uma produção muito caseira.
Capa da série Em Busca das Estrelas
Um espírito muito "faça você mesmo", similar ao da produção de quadrinhos independentes.E como também sou professor de desenho percebia uma carência muito grande de informação nesse meio, algo que se tivesse múltiplas pequenas contribuições evitaria muitas frustrações precoces de quem tá entrando. Como era, então, um assunto que interessava muita gente e eu já tinha uma bagagem resolvi fazer minha contribuição e também aproveitar para reforçar minha marca e divulgar meu trabalho.
Desde então passaram muitas mudanças no canal e em 2013 renovei tudo, vindo o Crás Conversa Oficial e estou aqui até hoje.

Quais as principais dificuldades e triunfos que você teve no mercado?
A maioria das dificuldades é não ter ninguém para orientar, nenhum exemplo a ser seguido.
As pessoas colocam como exemplos pessoas de fora, japoneses , europeus. Aqui temos o Maurício de Souza mas a trajetória dele é muito diferente da realidade de qualquer pessoa, eram condições diferentes.
Não haviam outros autores que começaram da mesma forma que a gente e conseguiram seu espaço. Arriscar por conta própria sem saber se ia ou não dar certo, essa era a maior das dificuldades.
Dos triunfos, foram vários ao decorrer da minha história, mas acho que o maior é a consolidação da marca que criei, a Crás Editora, que as pessoas sabem que é um produção independente, não vão comparar com uma Marvel, uma DC, etc.
Capa de Vírus, Mais Um na Multidão
Mas as pessoas olham com respeito e carinho. Algo que, se falando em artes no Brasil, é muito difícil de se conseguir. Hoje tenho um volume considerável de seguidores e sei que, para eles, a marca tá bem consolidada. Um valor que não dá pra se medir com dinheiro. Esse reconhecimento é o maior triunfo.

O que você acha importante para quem que saber mais sobre quadrinho nacional independente, já que a maioria acha que quadrinho é apenas  o que vê na banca e compra baseada nos filmes ou animes que tá assistindo?
O que digo é que o leitor é neutro. O mesmo que lê comics ou mangá é o mesmo que pode ler o quadrinho independente.
Acho que a única coisa é assimilar a diferença entre um produto independente e um produto mainstream. Gosto de comparar que é a mesma coisa do mercado de games em que temos os jogos AAA e os jogos indies. Todos sabem que todo jogo indie é feito por um estúdio pequeno, muitas vezes por só uma pessoa sem os recursos tecnológicos nem de distribuição de um grande jogo. As pessoa que apreciam esse tipo de produção sabem que é algo de baixo orçamento mas não por isso de menor qualidade.

Se quiser deixar um recado final para nossos leitores:
Que não conhece tenho nosso canal do youtube:
E temos o nosso site onde é possível adquirir nossos quadrinhos, prints e outros produtos: http://www.editoracras.com.br/
Muito obrigado!
Estamos conversados, pooooor enquanto!